sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Tempo

É incrível como há leituras capazes de me tocar tanto, como já disse a algum tempo, comecei a ler o livro Tempo de Esperas do Padre Fábio de Melo...um verdadeiro encanto, um bálsamo para a alma dolorida e sofrida.
Em algumas passagem eu poderia até mesmo jurar que o Padre tenha se espelhado em meu sofrimento e escrito suas palavras. 
Um pequeno trecho me chamou a atenção, ele expressa exatamente aquilo que sinto:


"O tempo tem sido para mim uma experiência torturante. Existe uma morosidade em tudo o que me rodeia. O meu desejo é que uma noite profunda se debruçasse hoje, sobre minha vida, e que eu acordasse dez anos mais tarde. O sofrimento transforma o tempo. Eu o sinto estagnado, como se o relógio estivesse em descompasso, trabalhando ao contrário. Estranho. A alegria apressa as horas. O sofrimento paralisa."

É isso que sinto hoje...um tempo estagnado!
Em outro trecho ele ainda diz:

"Vez em quando eu ainda me sinto ausente de mim mesmo. É por isso que ainda espero pelo seu retorno. Se não for para ficar, que seja então para me devolver o que é meu."


Palavras simples, de significado tão grande...me sinto ausente, sim Padre, eu me sinto ausente de mim mesma esperando por um retorno que jamais acontecerá. Eu sei que ele não vem, mas o espero, talvez na ânsia de querer que ele me devolva aquilo que foi embora com ele...



Devolva meu tempo de alegria e de confiança no amor!

(Genevive)




domingo, 9 de dezembro de 2012

Um pouco de Clarice...

''Estou um pouco desnorteada como se um coração me tivesse sido tirado, e em lugar dele estivesse agora a súbita ausência, uma ausência quase palpável do que era antes um órgão banhado da escuridão da dor. Não estou sentindo nada. Mas é o contrário de um torpor. É um modo mais leve e mais silencioso de existir. Mas estou também inquieta. Eu estava organizada para me consolar da angústia da dor. Mas como é que me arrumo com essa simples e tranquila alegria. É que não estou habituada a não precisar do meu próprio consolo.”

(Clarice Lispector)